Blog da Psike

O tornar-se velho …

… é natural. Existem muitos fatores envolvidos no processo de envelhecimento. Dentre eles observamos com destaque a cultura em que estamos inseridos, pois ela é responsável pela maneira como compreendemos o conceito de velhice de forma depreciativa na maioria das vezes. Porém, envelhecer não é sinônimo de inércia ou passividade e se tornar velho não é se tornar um rótulo social. Ao chegarmos na velhice ainda estamos vivos e como seres humanos vivos ainda temos escolhas, direitos e acima de tudo, responsabilidades para com nós mesmos.

A velhice, tal como a infância e adolescência, é mais uma etapa do ciclo de vida, sendo tão importante quanto qualquer outra. É também uma construção social da representação da pessoa resultante do envelhecimento. Portanto o envelhecimento é universal (visto que todos envelhecemos), mas será que a velhice também é? Com o aumento do envelhecimento da população mundial e o aumento da remuneração da aposentadoria por volta da década de 60, as políticas públicas e as intervenções de mercado deram início ao que hoje entendemos por idoso, terceira idade e velho. Na lógica capitalista, um número grande de pessoas dispõem de tempo e dinheiro. Então uma série de políticas sociais foram feitas, bem como o Estatuto do Idoso, programas sociais e como resultado transformaram a imagem do velho “doente e gasto” pelas categorias de idoso (velho respeitado) e terceira-idade (aposentados dinâmicos).

idoso

Esse pensamento, explicado de forma bastante resumida, mostra que a tentativa de estereotipar a velhice disfarça contudo, a nossa riqueza. A velhice é uma oportunidade de desenvolvimento, ela sempre terá sua imprevisibilidade no seu desenrolar. Envelhecer é saber que somos seres heterogêneos, diferentes e que cada um neste planeta terá suas próprias experiências. O fato de sermos homens ou mulheres com mais anos de vida do que outros indivíduos não vai estagnar o nosso processo de relações e de desenvolvimento próprio, muito menos encerra o ciclo da vida. Ao encararmos a vida com pessimismo, isso não será diferente quando os cabelos brancos (ou a falta deles) começarem a aparecer, pois, nossa essência nos acompanha por todo o caminho que trilhamos, a maneira como encaramos a vida e nos classificamos durante ela pertence à nós mesmos. Então, será que olharemos ao espelho e nos chamaremos de velhos? Se usamos as nossas potencialidades para superar e nos adaptarmos ao longo do tempo, ao completar setenta anos, seremos idosos?

Como qualquer outra fase do desenvolvimento humano, a velhice é um momento que exige mudanças e adaptações, nas quais estão presentes ganhos, perdas, potencialidades e limitações. Portanto, “envelhecer bem” depende de um delicado equilíbrio entre nossas experiências vividas e a nossa capacidade de aprender com elas. É preciso compreender que cada fase da vida têm seus desafios e objetivos distintos a serem cumpridos e isso não é diferente na velhice. Talvez o que esteja em jogo nessa fase da vida seja utilizarmos aquilo que conseguimos depois muitas primaveras: a sabedoria da consciência. Usarmos a sabedoria de reconhecermos nossas próprias capacidades e limitações para sermos quem realmente somos.

Autoras:

Raphaella Portella CRP/PR 21795 raphaella@psike.com.br

Monique Serighelli CPR/PR 20489 monique@psike.com.br

O que meu diagnóstico tem a me dizer?

Todos nós uma hora temos um sintoma, desde uma dor de cabeça até uma crise de ansiedade, e então, nos é indicada a busca por um auxílio profissional, com o intuito de se compreender aquilo que vem a me causar incômodo, que esta interferindo no meu bem estar. Pois bem, depois de encontrado este auxílio, é comum que se obtenha um diagnóstico para a situação em que se encontra. E então começa a busca incessante por informações a respeito desta nova “doença”. O que ela significa? Quais as consequências disto? Agora eu sou um doente? Quais são minhas chances de cura? E para isso, temos meios de comunicação ao nosso alcance todos os dias. Mas, e se, parássemos para pensar um pouco sobre esse “diagnóstico” que nos foi dado. O que será que ele tem a nos dizer? Qual será a sua real utilidade?

Na área da Saúde Mental, os profissionais de psiquiatria e psicologia são os responsáveis pelos diagnósticos dos famosos transtornos mentais, mas é importante se compreender como é que se define estes ditos transtornos: um conjunto de sintomas pode ser classificado como um transtorno quando um grande número de pessoas é estudado e apresenta sintomas em comum, são dados estatísticos levantados e comparados que definem esta classificação. Portanto, pode-se observar aqui que o diagnóstico é útil para a orientação dos profissionais de saúde mental em relação a um quadro geral do sujeito, e não é uma definição detalhada de quem é aquele individuo e o que ele precisa.

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Os profissionais da área da saúde mental precisam ser cautelosos ao se tratar de hipóteses diagnósticas, é preciso um contato a profundado com todo o contexto daquela pessoa, tem que se buscar compreender o sujeito por um todo antes de que se determine uma classificação. Para começar, fechar um diagnóstico não é uma tarefa fácil ou rápida, não é em uma ou duas sessões que se conhece uma pessoa ao ponto de realizar um diagnóstico preciso. É necessária uma avaliação bastante cautelosa para se chegar a qualquer conclusão. E mesmo que em algum momento se chegue um diagnóstico final, é preciso de tempos em tempos se rever esta classificação, portanto, é importante que não se aceite um diagnóstico como definitivo por toda a vida.

Atualmente, é comum as pessoas terem medo de receber rótulos, pois geralmente acabam por se tornar, aos olhos dos outros, aquilo o que foram rotuladas. Existe um movimento natural entre as pessoas de que ao ouvir um diagnóstico, automaticamente acredita-se que este indivíduo torna-se um indivíduo doente. Se eu tenho depressão, agora serei um depressivo, e isso inclui todas as pré-definições que este rótulo contem. Mas será que isso é o que este diagnóstico quer dizer? Não. Um diagnóstico não existe com a função de rotular ninguém, ele existe como uma ferramenta de profissionais da saúde para uma padronização de conhecimentos a respeito de determinados sintomas, e toda esta classificação tem uma única e exclusiva função: auxiliar no entendimento da situação do paciente e possibilitar que o profissional determine a melhor maneira de intervenção.

Diagnósticos não definem pessoas – só definiriam se pessoas fossem reduzidas a transtornos. Pessoas são pessoas: cada uma com sua história e suas singularidades. Diagnósticos orientam profissionais de saúde em relação aos sintomas que a pessoa apresenta e ao melhor tratamento para ela. Ele não deve ser usado para rotular alguém, mas sim como um ponto de partida para uma melhora significativa.

Raphaella Portella é Psicóloga Clínica CRP 08/21795. Contato: raphaella@psike.com.br

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