Blog da Psike

O tornar-se velho …

… é natural. Existem muitos fatores envolvidos no processo de envelhecimento. Dentre eles observamos com destaque a cultura em que estamos inseridos, pois ela é responsável pela maneira como compreendemos o conceito de velhice de forma depreciativa na maioria das vezes. Porém, envelhecer não é sinônimo de inércia ou passividade e se tornar velho não é se tornar um rótulo social. Ao chegarmos na velhice ainda estamos vivos e como seres humanos vivos ainda temos escolhas, direitos e acima de tudo, responsabilidades para com nós mesmos.

A velhice, tal como a infância e adolescência, é mais uma etapa do ciclo de vida, sendo tão importante quanto qualquer outra. É também uma construção social da representação da pessoa resultante do envelhecimento. Portanto o envelhecimento é universal (visto que todos envelhecemos), mas será que a velhice também é? Com o aumento do envelhecimento da população mundial e o aumento da remuneração da aposentadoria por volta da década de 60, as políticas públicas e as intervenções de mercado deram início ao que hoje entendemos por idoso, terceira idade e velho. Na lógica capitalista, um número grande de pessoas dispõem de tempo e dinheiro. Então uma série de políticas sociais foram feitas, bem como o Estatuto do Idoso, programas sociais e como resultado transformaram a imagem do velho “doente e gasto” pelas categorias de idoso (velho respeitado) e terceira-idade (aposentados dinâmicos).

idoso

Esse pensamento, explicado de forma bastante resumida, mostra que a tentativa de estereotipar a velhice disfarça contudo, a nossa riqueza. A velhice é uma oportunidade de desenvolvimento, ela sempre terá sua imprevisibilidade no seu desenrolar. Envelhecer é saber que somos seres heterogêneos, diferentes e que cada um neste planeta terá suas próprias experiências. O fato de sermos homens ou mulheres com mais anos de vida do que outros indivíduos não vai estagnar o nosso processo de relações e de desenvolvimento próprio, muito menos encerra o ciclo da vida. Ao encararmos a vida com pessimismo, isso não será diferente quando os cabelos brancos (ou a falta deles) começarem a aparecer, pois, nossa essência nos acompanha por todo o caminho que trilhamos, a maneira como encaramos a vida e nos classificamos durante ela pertence à nós mesmos. Então, será que olharemos ao espelho e nos chamaremos de velhos? Se usamos as nossas potencialidades para superar e nos adaptarmos ao longo do tempo, ao completar setenta anos, seremos idosos?

Como qualquer outra fase do desenvolvimento humano, a velhice é um momento que exige mudanças e adaptações, nas quais estão presentes ganhos, perdas, potencialidades e limitações. Portanto, “envelhecer bem” depende de um delicado equilíbrio entre nossas experiências vividas e a nossa capacidade de aprender com elas. É preciso compreender que cada fase da vida têm seus desafios e objetivos distintos a serem cumpridos e isso não é diferente na velhice. Talvez o que esteja em jogo nessa fase da vida seja utilizarmos aquilo que conseguimos depois muitas primaveras: a sabedoria da consciência. Usarmos a sabedoria de reconhecermos nossas próprias capacidades e limitações para sermos quem realmente somos.

Autoras:

Raphaella Portella CRP/PR 21795 raphaella@psike.com.br

Monique Serighelli CPR/PR 20489 monique@psike.com.br

Construção de Carreira na Contemporaneidade

TRABALHO, SUBJETIVIDADE E CONTEMPORANEIDADE: DESAFIOS E CONCEPÇÕES DE CARREIRA

             Quando falamos em carreira, algumas imagens nos vêm à cabeça: caminho, história profissional, um trajeto que você constrói ao longo da vida. Tais sentidos são comumente relacionados à discursos de realização pessoal, pertencimento e até mesmo sentido da vida. Por outro lado, também é frequente estabelecer relações de sofrimento, frustração e sacrifício. Se a relação do homem com o trabalho mostra-se tão ambivalente, digna de amor e ódio, determinando horários, relações sociais e identidades, não pode-se negar a dimensão do trabalho como constituinte da subjetividade humana.

               Na Grécia Antiga o trabalho era visto como degradante, inferior e desgastante, reduzido a atividades braçais e destinado aos escravos, mas, ao longo da história, diversos foram os sentidos atrelados a essa relação. Na idade média, a partir de pressupostos religiosos, passou a ser concebido como um modo de expiação dos pecados. No renascimento, já era visto como um estímulo para o desenvolvimento do homem. E foi só a partir da sociedade industrial capitalista, no início do século XX, que passou-se a falar de carreira, como um constructo teórico e prático, concebido como a progressão das pessoas no interior das empresas.

        De lá para cá, muita coisa mudou. Um termo que representava, necessariamente, a ligação com uma organização, visando uma progressão hierárquica vertical e a estabilidade ocupacional, passou a ser chamada de carreira tradicional. Atualmente, a tendência é marcada pela noção de instabilidade, descontinuidade e horizontalidade, as chamadas carreiras contemporâneas. Uma característica importante é que as novas carreiras não se estabelecem mais, necessariamente, a partir de um vínculo estável com a organização. É cada vez mais comum o autogerenciamento de carreira e uma constante exigência de qualificação profissional, exigindo do profissional uma postura de fornecedor de serviços.

               Tais conhecimentos tornam-se fundamentais quando pensamos em qualquer tipo de orientação profissional, visto que, vivendo num mundo do trabalho tão complexo, competitivo e incerto, a cada dia torna-se mais importante e necessário planejar-se. Segundo especialistas, um bom planejamento de carreira deve-se fundamentar em uma avaliação pessoal daquilo que o indivíduo deseja para sua vida profissional e ainda estar atento às exigências e demandas do mercado de trabalho¹.

        Para um maior aprofundamento dessas questões, segue abaixo uma vídeo aula lecionada ao curso de Planejamento de Carreira na Contemporaneidade :

Denis de Freitas, Psicólogo Clínico – CRP 08/19288. Contato: denis@psike.com.br

  1. Dias, Maria Sara de Lima; & Soares, Dulce Helena Penna (2009). Planejamento de Carreira: Uma orientação para estudantes universitários. São Paulo: Vetor.

A criação moderna na contribuição de adultos narcísicos infantilizados

Vamos observar a nossa volta as crianças do séc. XXI, comparadas a criação vinda das famílias tradicionais em décadas anteriores aos anos 80. Não podemos de modo algum ignorar os modelos cultural, social e econômico de cada família, mas de maneira geral refiro-me à classe média – alta, onde é nítida a diferenciação dos padrões educacionais na criação dos seus eternos filhos que não crescem, ou melhor, que quase sempre acabam por se transformar em adultos infantilizados.

Na geração passada, as famílias nucleares, seja pai e mãe com filhos, prezavam por uma educação mais rígida, como castigos e velhas palmadas. O pai sempre provedor trabalhando fora e a mãe em casa cuidando dos afazeres e criação dos filhos. Ao passar dos tempos isso veio sendo mudado com a conquista profissional da figura feminina retirando-se do lar e assumindo o mercado profissional. Mas e os filhos? Esses agora são cuidados  em comum do casal, conforme foram assumindo seus ‘estilos parentais’ da modernidade. Isso significa que, a nova criação ao contrário dos castigos, dos diversos ‘Nãos’ e ‘repreensões’, os pais da atualidade passaram mais a apoiar do que contrariar seus filhos,  eles mais elogiam do que repreendem.

Dizemos que esses sistemas familiares são formados por subsistemas, ou seja, marido/esposa, genitores/filhos, avós/netos,  local em que é frequente a atitude de superproteção por parte dos pais e avós. Há pensamentos controversos na atual dinâmica familiar:  ao pensarem que os elogiando, aceitando e acatando tudo destes estão incentivando e reforçando positivamente o comportamento dos filhos, ao contrário, podem estar na verdade  internalizando nesta criança/adolescente e futuro adulto, que ele é e sempre será o melhor em tudo, é superior aos demais. Isto também pode se configurar uma família sem regras e limites, ou  seja, formam-se padrões que passam a instituírem  e se manterem em ‘conto de fadas’. Sabemos que ‘conto de fadas’ não existe, e principalmente que o mundo lá fora está exigindo sempre mais desses jovens/adultos, seja nos estudos, no meio sócio-cultural e na vida profissional.

birra

A data em que você nasceu é imutável, mas o seu jeito de pensar, sentir e agir você pode mudar.” Gustavo Boog.

Com base nos estudos e conceitos do Psicólogo S. Minuchin, 1988, “esses subsistemas são separados por fronteiras e constituídos por regras e limites próprios que regulam as trocas e os intercâmbios estabelecidos entre eles”… A falta ou o afrouxamento exacerbado dessas fronteiras e desses limites pode caracterizar a patologia em um sistema familiar.

Podemos observar dois tipos de comportamento dos pais dentro de um sistema: digamos que na falta de limites somada à despreocupação destes, podem contribuir para a formação de filhos manipuladores e até com traços psicopatas, o que podemos chamar de ‘distúrbios da personalidade dissocial’. Eles não conseguem se submeter a regras sociais e pouco se importam com o sentimento das outras pessoas, tornam-se egocêntricos e agressivos dentro e fora de casa.  O segundo comportamento que irá influenciar é aquele que mesmo sem regras e limites, ao contrário do descaso os pais superprotegem, caracteriza-se um sistema auto-confiante, onde nunca se erra e consequentemente esses filhos acabam por roubar a autoridade dos pais, caracterizando também o caminho de um sistema patológico. Quando falamos em roubar a autoridade dos pais, vemos que há uma inversão de funções muito comum na modernidade, o que acaba certamente contribuindo para o estilo narcísico desses jovens, emaranhados na grande dependência daquele sistema, sem estarem devidamente preparados para encarar os desafios da sua atualidade.

Ser narcisista pode ser a moda do século XXI. Comparados a história do espelho de Narciso que passava horas adorando a si mesmo, esses jovens estão cada vez mais cultuando a si mesmos. Não respeitam os mais velhos e estão sempre certos em tudo, formam a turminha do “me acho”, se acham espertos, inteligentes, pegadores, os mais competentes no trabalho e merecedores de ter tudo do bom e do melhor, se superando aos outros, entrando no velho padrão de competitividade. Crescem achando-se reis e rainhas, pois dentro de casa são tratados assim, só não percebem que lá fora, a sociedade não os verão com esses olhos. Eles viram adultos com uma expectativa de superioridade, mostra uma pesquisa dos Estados Unidos onde foram acompanhados jovens da universidade de San Diego (2006). Eles possuem o ego inflado e uma exagerada confiança que foi instituída na infância, onde vem quase sempre acompanhado de uma grande insensibilidade e ao mesmo tempo dependência familiar. Isto mostra ser resultado dos pais que passaram grande parte da vida mimando muito sua prole. Sabemos que qualquer atitude deve-se ter limites, dar amor e afeto não é necessariamente mimar e somente elogiar. Eles também precisam aprender o poder da palavra ‘não’, precisam dar valor ao dinheiro, saber o quanto precisam cair e se levantar para aos poucos tornarem-se bons em alguma tarefa na vida, conquistando seu espaço sem precisar passar por cima de ninguém. Não adianta os pais pensarem que dão a melhor educação, pagam o melhor colégio, o melhor curso de inglês, mas não os deixarem se virar sozinhos, tomarem suas atitudes e decisões pensadas, passar o peso da responsabilidade a eles.

narcisoAo contrario, passaram a criar esses filhos de baixo de suas asas, os protegendo de tudo, decidindo por eles até a fase adulta como se fossem ainda crianças irresponsáveis. Esses filhos da modernidade já vem com o dever da conquista emanada dos pais de apenas ser vencedor na vida a qualquer custo, mas não estão nenhum pouco adaptados a assumir grandes responsabilidades. Fica visível que o avesso desta criação recairá negativamente sobre eles. Ao longo da vida adulta, essa imagem distorcida, narcísica de si mesmo acaba por prejudicar sua personalidade e capacidade de integração. Movimento muito comum que se pode observar nos dias de hoje, é a instabilidade do jovem em se manter em emprego. Diferentemente também de gerações passadas, onde jovens na idade dos 18 a 20 anos casavam-se e constituíam família, hoje se casam após os 30 anos de idade. Podemos pensar em crescimento e amadurecimento tardio? Pode tantas mudanças nesta criação ter contribuído para uma geração retroativa? Pensemos que o depósito de muita auto-estima nos filhos por parte desses pais, que também diminuíram a quantidade de filhos comparados a décadas passadas, acabou por ‘cultuarem’ demais sua pequena família. Não se pode criticar para não frustrar, não pode as palmadas porque caracteriza agressão física e não educação, então cada vez mais cria-se filhos com dificuldades para lidar com o mundo. Ao chegarem nessa vida adulta eles acabam por perceber que não dão conta de suas próprias vidas e vão deparar frente a frente com a realidade fora do sistema em que foram criados. Quando algo é exigido deles, apoderam-se de sentimentos de frustração, incapacidade e insatisfação, desenvolvem pânico, medo e podem desencadear sintomas de depressão.

Esses ‘estilos parentais’ caracterizam pais pouco exigentes e filhos mais dependentes e infantilizados. Aumenta-se a procura por terapias, aconselhamentos de pais e filhos, como se tivessem que apreender a lidar com eles, mas existe algum manual?  Fica a dica de uma cartilha antiga, não a ser seguida à risca, mas observada. Mudaram-se os modelos de criação devido as crenças religiosas, à evolução tecnológica do mundo moderno que reflete diretamente na instância cultural e exige que as famílias sejam adaptadas. Contudo podemos pensar que nada está perdido, acreditamos que todo sistema familiar é sim passível de mudanças. Com vontade e preocupação com o futuro da prole podem manifestar grande potencial para uma boa e saudável criação, afinal ter consciência do seu próprio  modo e atitudes de educar, é também contribuir e estimular positivamente na formação e no desenvolvimento psíquico de seus filhos, que passarão a mesma criação e aprendizados adiante.

Cíntia Calegari Zulli é Psicóloga Clínica CRP 08/21358. Contato: cintia@psike.com.br

O que meu diagnóstico tem a me dizer?

Todos nós uma hora temos um sintoma, desde uma dor de cabeça até uma crise de ansiedade, e então, nos é indicada a busca por um auxílio profissional, com o intuito de se compreender aquilo que vem a me causar incômodo, que esta interferindo no meu bem estar. Pois bem, depois de encontrado este auxílio, é comum que se obtenha um diagnóstico para a situação em que se encontra. E então começa a busca incessante por informações a respeito desta nova “doença”. O que ela significa? Quais as consequências disto? Agora eu sou um doente? Quais são minhas chances de cura? E para isso, temos meios de comunicação ao nosso alcance todos os dias. Mas, e se, parássemos para pensar um pouco sobre esse “diagnóstico” que nos foi dado. O que será que ele tem a nos dizer? Qual será a sua real utilidade?

Na área da Saúde Mental, os profissionais de psiquiatria e psicologia são os responsáveis pelos diagnósticos dos famosos transtornos mentais, mas é importante se compreender como é que se define estes ditos transtornos: um conjunto de sintomas pode ser classificado como um transtorno quando um grande número de pessoas é estudado e apresenta sintomas em comum, são dados estatísticos levantados e comparados que definem esta classificação. Portanto, pode-se observar aqui que o diagnóstico é útil para a orientação dos profissionais de saúde mental em relação a um quadro geral do sujeito, e não é uma definição detalhada de quem é aquele individuo e o que ele precisa.

psike

Os profissionais da área da saúde mental precisam ser cautelosos ao se tratar de hipóteses diagnósticas, é preciso um contato a profundado com todo o contexto daquela pessoa, tem que se buscar compreender o sujeito por um todo antes de que se determine uma classificação. Para começar, fechar um diagnóstico não é uma tarefa fácil ou rápida, não é em uma ou duas sessões que se conhece uma pessoa ao ponto de realizar um diagnóstico preciso. É necessária uma avaliação bastante cautelosa para se chegar a qualquer conclusão. E mesmo que em algum momento se chegue um diagnóstico final, é preciso de tempos em tempos se rever esta classificação, portanto, é importante que não se aceite um diagnóstico como definitivo por toda a vida.

Atualmente, é comum as pessoas terem medo de receber rótulos, pois geralmente acabam por se tornar, aos olhos dos outros, aquilo o que foram rotuladas. Existe um movimento natural entre as pessoas de que ao ouvir um diagnóstico, automaticamente acredita-se que este indivíduo torna-se um indivíduo doente. Se eu tenho depressão, agora serei um depressivo, e isso inclui todas as pré-definições que este rótulo contem. Mas será que isso é o que este diagnóstico quer dizer? Não. Um diagnóstico não existe com a função de rotular ninguém, ele existe como uma ferramenta de profissionais da saúde para uma padronização de conhecimentos a respeito de determinados sintomas, e toda esta classificação tem uma única e exclusiva função: auxiliar no entendimento da situação do paciente e possibilitar que o profissional determine a melhor maneira de intervenção.

Diagnósticos não definem pessoas – só definiriam se pessoas fossem reduzidas a transtornos. Pessoas são pessoas: cada uma com sua história e suas singularidades. Diagnósticos orientam profissionais de saúde em relação aos sintomas que a pessoa apresenta e ao melhor tratamento para ela. Ele não deve ser usado para rotular alguém, mas sim como um ponto de partida para uma melhora significativa.

Raphaella Portella é Psicóloga Clínica CRP 08/21795. Contato: raphaella@psike.com.br

Como lidar com parceiros egoístas?

Muitas vezes as pessoas trazem uma bagagem muito pesada de sua infância, tanto positiva, quanto negativa e, esses sentimentos podem ser responsáveis por atitudes de egoísmo e gerar conflitos de relacionamento

O mundo moderno traz muitas facilidades para o nosso dia a dia, e isso não é novidade e todos concordam com essa afirmação. As coisas tornaram-se muito acessíveis e, até mesmo aqueles que têm dificuldades em encontrar tempo para realizar a simples tarefa de ir ao supermercado, por exemplo, já teve uma solução para o seu problema. Entretanto, com tantas possibilidades nas palmas da mão, algumas coisas acabam ficando para trás. Muitas pessoas se tornam cada vez mais individualistas, o que certamente não é nada tão grave assim. O grande problema, no entanto, é quando os indíviduos acabam se sentindo tão autossuficientes, e se tornam egoístas.

As dificuldades acabam por aparecer, especialmente para aqueles que estão em um relacionamento. Quando um dos dois é egoísta, não demora muito para que as brigas e os problemas comecem a surgir. Por outro lado, a questão que vem à tona é: como identificar o egoísmo no parceiro?

De acordo com a psicóloga Melissa Piske Indalecio, especialista em Psicologia Analítica, uma relação a dois envolve muitos aspectos psicológicos e o principal está relacionado às projeções que cada um ideintifica no outro. O inconsciente produz efeitos quase nostálgicos quando começa a trabalhar buscando a integração total do ser a partir do outro. “É quase como o velho jargão que fala: ‘é a tampa da minha panela’ – ou seja, nesse relacionamento, o indivíduo deseja integrar as suas partes faltantes. Ao amar no parceiro as próprias características, como acontece no fenômeno psicológico chamado de projeção, o indivíduo busca ‘o matrimonio interior’, que nada mais é que a sua integração através do outro, os próprios conteúdos inconscientes”, explica.
g_1423015482

Melissa comenta que é possível vislumbrar desta forma o egoísmo que existe nesse tipo de relacionamento, apesar da inconsciência destes processos. A paixão seria, principalmente, a vivência da projeção, o que significa uma adoração por si, pelas próprias imagens nos aspectos do parceiro. “Este tipo de relação, pela sua própria natureza, está fadada a se degenerar para o egoísmo, pois ele não é um amor dirigido a outro ser humano, mas sim pelas partes faltantes de si mesmo. Quando isso ocorre, tende a ser orientado às próprias projeções, expectativas e às fantasias. Na verdade, este amor não é um sentimento relacionando a outra pessoa, é por ele (a) mesmo (a)”, revela.

Nesse caso, o desenvolvimento pessoal de cada um pode realizar mudanças, mas mais do que lidar com o egoísmo do outro, é importante reconhecer em si o que alimenta este tipo de relação. Lidar com a situação nem sempre é fácil, pois existem muitos conteúdos inconscientes travando guerras internas em cada um dos indivíduos enquanto casal. “Uma pessoa terapeutizada, é capaz de desmistificar o casamento e observar a integralidade deste relacionamento, vislumbrando esse parceiro como um ser humano cheio de virtudes e igualmente cheio de defeitos. Ao humanizar esta relação, naturalmente, o egoísmo vai se esvaindo e percebe-se que a integralidade individual esta sendo respeitada. E partindo deste ponto, o parceiro não será mais visto como a tal ‘tampa da panela’, mas sim como outra ‘panela inteira’”, ressalta a psicóloga Melissa Piske Indalecio.

Ela comenta que é possível identificar um parceiro egoísta quando, ao invés deste caminho ser trilhado lado a lado, na primeira negação de desejo, observa-se surgir aspectos sombrios, como a vontade de combatividade, competitividade, aniquilamento emocional, desconsideração pelo desejo do outro, pois, este outro não é visto como um ser integral, mas como uma relação simbiótica de extensão de si mesmo. Partindo desta premissa, a relação tende a cada dia tornar-se mais caótica na medida em que estes aspectos negativos são pouco conhecidos e reconhecidos em você e no outro.

Somente o fato de exigir que a outra pessoa mude, é possível demonstrar um desejo de impor suas próprias vontades. “Não necessariamente significa apenas isso, mudanças de atitudes implicam em muitas variáveis, desde uma maturação do indivíduo quanto ao comprometimento da vida a dois, até o simples capricho de ser atendido em suas necessidades e vontades.

Quando adentramos na questão do egoísmo da relação, esta cobrança começa a acontecer quando o encantamento começa a se desfazer e a realidade começa a dar indícios de estar aparente, isto é, os aspectos simbólicos que um dos parceiros tinha em relação ao outro começa a desmoronar e costuma-se ouvir a frase: ‘Você não parece mais a pessoa com quem me casei’. Sim, esta pessoa é exatamente com quem casou, no entanto, este desvendamento pode ser muito produtivo, pois começa a distanciar o outro de uma imagem idealizada e traze-lo para a realidade. Sendo assim, se este processo não for bem absorvido, pode começar a desencadear processos de estranhamento e a não aceitação do outro, o que leva a condutas, conscientes e inconscientes que boicotam o relacionamento e podem levar ao aniquilamento de qualquer sentimento positivo e genuíno que pudesse existir entre as partes”, esclarece Melissa.

A psicóloga também menciona que o egoísmo pode ser resultado de uma infância problemática. A escolha do cônjuge está intimamente ligada à relação que os indivíduos possuem com os pais. Todos nós nascemos com expectativas de nossos pais, normalmente ligadas a experiências que eles mesmos desejariam ter vivido, mas não o fizeram, ou seja, intimamente ligados às frustrações deles. Existem conteúdos que são trazidos da infância, e a escolha do parceiro pode ter relação com o referencial paterno e materno, podendo se tratar de uma tentativa frustrada de resgatar a imagem relacional que traz em sua fantasia sobre o relacionamento perfeito, usando como modelo positivo ou negativo a relação dos pais e, algumas vezes, da expectativa deles.

“Vamos citar como exemplo a questão dos atritos dentro do casamento, que podem ser resultado do fracasso desta expectativa paterna, ou de suas próprias fantasias. O homem pode perceber que a mulher não desempenhará o ‘papel mágico de mãe’, assim como a mulher pode descobrir que não está diante de alguém que será seu herói. Neste momento, ou o parceiro assume uma condição egoísta, ou torna isso a possibilidade para diferenciar e impulsionar positivamente a relação conjugal, será a postura do casal em relação aos desafios a serem superados e a capacidade de recriar as suas frustrações, que determinará um futuro próspero ou não. O parceiro pode ser um meio de sofrimento por não agir de acordo com a expectativa de um grande amor, e ao perceber que esta ferida se iniciou na relação com os pais, e que continua aberta, pode ser mais uma excelente oportunidade de superação”, exemplifica Melissa.

O egocentrismo, de acordo com a psicóloga, é denominado pelo comportamento voltado para si, pois não há uma capacidade de diferenciar-se dos outros. No entanto, percebemos esta classificação, mais comumente em crianças, fase em esta condição egocêntrica e a falta de maturidade para realização empática é mais comum e não patológica, já que faz parte do desenvolvimento humano. “Na fase adulta, existem os desdobramentos, o que percebe-se mais comumente são os transtornos de personalidades histriônicas, em que o indivíduo desenvolve uma dramatização excessiva nos mais diversos contextos e a necessidade de chamar a atenção para si. No entanto para não ficarmos aqui rotulando doenças e transtornos, podemos falar do que isso significa simbolicamente.

Para o egocêntrico, enfrentar a realidade é enfrentar o outro com todas as suas diferenças. O outro os coloca em xeque, faz com que se voltem para si e reflitam a respeito de suas verdades. Olhar o outro é abandonar nossa onipotência, é olhar para as fraquezas e limitações e os colocar à prova. Existe uma falha na formação de sua identidade que está diretamente ligada às suas primeiras relações com o mundo, as relações objetais, as relações com pai e mãe, relações responsáveis por sua formação, por sua capacidade de adaptação ou não à sociedade. Parece faltar a força necessária para enfrentar o mundo e suportar as adversidades sem se desintegrar, para interagir, sentir prazer e desprazer, lidar com os conflitos e poder crescer com eles”, esclarece.

Mas ao se deparar com um relacionamento assim, qual a melhor maneira de agir e resolver o problema? Melissa fala que a melhor solução é olhar para os próprios problemas e conflitos, tanto o indivíduo egoísta, que fatalmente encontrará indícios de seus atos, quanto o parceiro que utiliza da permissividade para retroalimentar essa relação que pode tomar proporções crescentes e tornar-se patológica. “Buscar ajuda pode ser um caminho para clarear os problemas que podem amplificar, resgatar e agregar sucesso ao relacionamento.

Conhecer-se profundamente requer coragem. Coragem para enfrentar um lado obscuro do qual muitos irão resistir e não poderão não aceitar. Observar nossas próprias dinâmicas conduz ao sucesso pessoal, familiar e no relacionamento a dois, mas é necessário um esforço para não achar culpados, além do seu próprio reflexo. Pois o ser humano possui uma tendência à resistência e quanto mais se resiste a algo, mais isso persiste. Pode melhorar muito com o auto conhecimento através da análise, ou psicoterapia, com ajuda de um profissional, seja psicólogo, analista ou psicanalista”, finaliza.

Observação: Matéria publicada na Revista Nova Familia

Melissa Piske Indalecio – Psicóloga Clínica Especialista – Psicologia Analítica – CRP 08/21206. Contato: melissa@psike.com.br.

A bebida na juventude

Psicóloga aponta os principais fatores do consumo de álcool entre jovens

Por Marcelo Andrade

Recentemente a jornalista Maria Lydia Flandoli, do Jornal da Gazeta, realizou uma entrevista interessante sobre o alcoolismo com a psiquiatra e professora da Unifesp Ana Cecília Marques. A médica revelou um dado preocupante. “Os estudos apontam que, quanto mais cedo o jovem começar a beber, maior a taxa de dependência ao longo da vida. Eles começam a beber cada vez mais cedo, em doses maiores e isso compromete a vida deles como um todo.”

Um estudo do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid) e pela Secretaria Nacional Antidrogas (Senad), aponta que o consumo de álcool por adolescentes de 12 a 17 anos já atinge 54% dos entrevistados e desses, 7% já apresentam dependência.

Os dados são ainda mais assustadores! O levantamento realizado pela Cebrid com estudantes do Ensino Fundamental e Médio da Rede Pública revela que a idade de início do consumo fica em torno dos 12 anos.

Fatores hereditários é um ponto importante a ser relacionado

Mas por que os adolescentes estão bebendo cada vez mais cedo? Para a psicóloga Melissa Piske Indalécio, “estamos vivendo um momento em que os jovens buscam freneticamente momentos que lhes assegurem novas sensações e a inconseqüência de seus atos representa o resultado da dificuldade com lidar com limites, o que os leva a auto-sabotagem. No entanto, ao descortinar estes sintomas nos deparamos com quadros que nos revelam algumas vezes alguns transtornos mentais, como quadros de ansiedade, depressão, a hiperatividade e a idade hoje para este início de consumo é cada vez mais tenra. Por isso, a atenção dos pais deve estar em atitudes preventivas e não repressivas.”, explicou Melissa.

Na prática, esse cenário pode ser identificado circulando na região de Pinheiros, um dos tradicionais pontos de encontro entre jovens e adultos, marcado por barzinhos e casas de shows. Nos fins de semana, é natural encontrar grupos de jovens bebendo e fumando.

Segundo Melissa Piske Indalécio, uma característica importante para os adolescentes é falar “a língua da tribo”, ou seja, a submissão a este comportamento por pressão do grupo, chamada influência ambiental, sensação de aproveitar ao máximo o tempo com menos inibição, assim como a legitimidade, trocando em miúdos, estar inconsciente os legitima a ter comportamentos sociais reprováveis quando estão 100% conscientes. E nesta fase ocorrem modificações físicas, psicológicas, além da busca pela própria identidade, neste momento já tendenciando a diferenciar-se de tudo aquilo que se propôs, numa fase ainda mais pueril. Transições no desenvolvimento têm sido associadas com a exacerbação de sentimentos e início do consumo de álcool.

Prevenção é o melhor caminho

O atendimento diário com adolescentes no consultório de Psicologia Clínica Psike, localizado na Rua Dr. Luiz Migliano, 1986 cj. 806 deu à Melissa experiência sobre o comportamento dos jovens. Ele acredita que esse é um problema multifatorial. Quanto mais cedo ocorre o consumo de álcool, mais cedo é observado, o inicio da vida sexual, menor o tempo dedicado aos estudos e há uma certa tendência a experimentar novos tipos de drogas, além de comportamentos antissociais, violência e agressividade.

“Também não podemos deixar de destacar, sem tornar isso um rótulo, mas historicamente fatores hereditários é um fator importante a ser relacionado. Quando percebe-se que membros da família são portadores de alcoolismo, coloca os jovens em maior risco de desenvolver problemas com o uso de bebidas. Filhos de alcoolistas têm risco de 4 a 10 vezes maior para manifestarem problemas com o uso de bebidas e estudos genéticos atuais indicam que alguns genes têm sido relacionados com o desenvolvimento do alcoolismo. Numa breve evolução percebe-se que nos anos 60 o início do consumo do álcool ocorria em média aos 18 anos, em 2000 observou-se que este consumo tornou-se mais evidente em adolescentes com em média 14 anos de idade.”

A psicóloga finaliza com uma recomendação aos pais. “O que cabe a família é observar o comportamento dos jovens, escutá-los ainda que divergentes e marcar presença em suas vidas, pois a prevenção continua sendo um caminho muito mais curto para a saúde não apenas do adolescente, mas de todos que sofrem com esta demanda uma vez que se instale tão precocemente devastando a vida deste e inevitavelmente de toda a família nuclear.”

Nota: Matéria publicada no Jornal Superquadranews

Comportamento humano

A diversidade de características de personalidades em debate

Por Marcelo Andrade

Viver é fácil, conviver é difícil! Esta frase, narrada geralmente pelas pessoas mais velhas, ilustra a diversidade do comportamento humano na sociedade. Alguns são ansiosos, outros temperamentais, explosivos, descontraídos, tranqüilos, entre outras características. O detalhe desses comportamentos é quando eles começam a prejudicar na relação social, seja entre amigos, no trabalho ou até dentro de casa. Porque muitas vezes, por trás dessa postura, existe um transtorno mental que precisa ser identificado e tratado.

stress

características de personalidades que precisam ser identificadas

Visando debater e esclarecer as características de personalidades, o Jornal Superquadranews, em parceria com o consultório de psicologia clínica Psike, vai preparar uma série de matérias para debater o assunto, e apontar soluções.

Segundo a psicóloga Melissa Piske Indalécio, existe uma “salada mista” sendo feita com depressão, ansiedade, bipolaridade e outros transtornos. “São coisas bem diferentes, características de personalidades que precisam ser identificadas, explicadas e, sobretudo, de uma atenção especial. Muitas vezes, as pessoas se auto intitulam com um problema, sem saber direito o que realmente acontece.”, explicou Melissa Piske Indalécio, que atende no consultório de psicologia clínica Psike, localizado na Rua Dr. Luiz Migliano, 1986, cj. 806, no Morumbi.

Nota: Matéria publicada no Jornal Superquadranews

TRANSTORNOS EMOCIONAIS

Psicóloga detalhe os principais sintomas desse transtorno que atinge muitos brasileiros

Por Marcelo Andrade

Em parceria com o consultório de psicologia Psike, seguimos nossa série de reportagens sobre o comportamento e a personalidade humana, visando o debate e o respeito às indiferenças.

Vale ressaltar a importância de identificar e detalhar cada transtorno. “Falar de transtornos mentais é algo elucidador e deve ser transmitido com clareza, para que não haja uma confusão para quem não tem estas informações em seu dia a dia. Para podermos ser criteriosos e não simplesmente jogar notícia sem embasamento científico, contamos com o DSM IV – Manual oficial utilizado amplamente na clínica psicológica e psiquiátrica como referência para detecção das possíveis hipóteses diagnósticas (HD) pelos profissionais da saúde mental.”, explicou a psicóloga Melissa Piske Indalécio.

Muita euforia

Muita euforia

Depois de pautarmos o TRANSTORNO EXPLOSIVO INTERMITENTE, popularmente conhecido como pavio curto, falaremos hoje dos transtornos emocionais, caracterizados pela alteração do humor. Segundo a psicóloga Juliana de Oliveira Fernandes, CRP 06/106562, do consultório de psicologia Psike, oscilação de humor é algo que todos nós temos, e conforme os acontecimentos diários tendemos a ficar alegres ou tristes, conforme nossa percepção positiva ou negativa do que acontece.

Entretanto, ao mencionarmos a palavra “transtorno” estamos falando de algo que está em desordem, ou seja, vivências que causam sofrimento intenso. É uma dificuldade em lidar com as emoções que se encontram sem controle: ansiedades, pânicos, fobias, compulsões, estresses, depressões, entre outros.

Nos transtornos emocionais as pessoas passam a viver intensas emoções que causam sofrimento por não serem bem compreendidas por quem está ao seu redor e por elas mesmas.

“Há alguns transtornos emocionais que são mais diagnosticados atualmente. Comentaremos alguns deles, como a depressão que é a baixa energia vital da pessoa, ou seja, não há interesse no mundo externo, existe um sentimento forte de tristeza que dura longos períodos, prejudicando sua vida social, afetiva e principalmente produtiva.”, afirma Juliana de Oliveira Fernandes.

Segundo ela, a distimia que é avaliada através da constatação de um humor deprimido na maior parte do tempo, são aquelas pessoas que são negativas, que se encontram em longos discursos queixosos e se auto-criticando, muitas vezes tem dificuldades com o meio social, porém o substituem por trabalho e vida produtiva.

episódio depressivo

episódio depressivo

Juliana de Oliveira Fernandes explica que a Mania também é considerada um transtorno emocional por causar um comportamento fora do que é considerado comum, com sintomas de euforia, com a energia toda voltada ao mundo externo as tornando excessivamente sociáveis, o oposto da depressão. O indivíduo fica acometido por sentimentos de grandiosidade com condutas perceptíveis de perda de controle, sem medir as consequências das próprias ações.

Para a psicóloga o transtorno bipolar é algo muito confundido com uma mudança de humor aparentemente repentina durante um dia todo, mas não é bem assim, o transtorno bipolar vai ser diagnosticado a partir da duração de sintomas característicos e suas intensidades. A pessoa com esse diagnóstico passa por uma longa e intensa fase depressiva, que oscila e se alterna por fases de mania que perduram por mais de sete dias.

O último que iremos abordar é o Transtorno depressivo recorrente que é diagnosticado por sintomas como um leve aumento de energia no indivíduo (mania), para logo em seguida ser acometido por um episódio depressivo, ou uma repetição de episódios depressivos com um humor exaltado, mas que não vão ser considerados episódios de mania.

Todos esses transtornos emocionais deverão ser cuidados respeitando a dinâmica do paciente e o seu sofrimento, pois os transtornos emocionais costumam deixar seqüelas em todos os envolvidos, acabam afetando a própria autoimagem e a percepção do ambiente ao redor.

“Na psicoterapia esses indivíduos poderão olhar para cada sofrimento que essas emoções “desenfreadas” causam, podendo conhecer a si próprios, para que esses sintomas não venham ganhar cada vez mais autônomia causando um alienamento de si mesmo. O paciente acaba se esquecendo de quem é, muitas vezes se indentificando com a doença e perdendo a própria personalidade. Na psicoterapia procuraremos resgatar a própria personalidade do sujeito, para que as partes saudáveis que existem consigam ter melhor desempenho para confrontar a doença e conseguir decifrar sua mensagem.”, finaliza Juliana de Oliveira Fernandes, que atualmente atende no consultório de psicologia Psike, localizado na Rua Doutor. Luiz Migliano, 1986, conjunto 806.

Nota: Matéria publicada no Jornal Superquadranews

Transtorno explosivo intermitente

Psicóloga descreve os sintomas desse transtorno popularmente conhecido como pavio curto

Por Marcelo Andrade

Visando debater e esclarecer as características sobre o comportamento e a personalidade humana, o Jornal Superquadranews, em parceria com o consultório de psicologia clínica Psike, inicia uma série de matérias para debater o assunto, apontando soluções.

Na semana passada, a psicóloga Melissa Piske Indalécio explicou que existe uma “salada mista” entre os sintomas de depressão, ansiedade, bipolaridade e outros transtornos. Segundo ela, as pessoas se auto-intitulam portadoras de um problema sem saber o que realmente acontece.

Por isso, cada transtorno mental precisa ser identificado. Hoje vamos pautar o TRANSTORNO EXPLOSIVO INTERMITENTE, popularmente conhecido como pavio curto. Segundo a psicóloga Juliana de Oliveira Fernandes, CRP 06/106562, esse transtorno se caracteriza por uma raiva excessiva ao mesmo tempo com ações agressivas no ambiente, ou seja, são aquelas pessoas que gritam, xingam, quebram ou jogam objetos,  podendo chegar até a ferir alguém ou machucar a si mesma. Normalmente a energia utilizada nestes acontecimentos, que aparentemente são repentinos, é tão grande que quem vê essa atitude de fora acaba achando que a pessoa ficou louca.

Explosão de emoções agressivas sem um motivo

Explosão de emoções agressivas sem um motivo

Acontece que os principais sintomas dessa patologia é essa explosão de emoções agressivas sem um motivo suficientemente grande para a proporção da reação, e em seguida, um enorme sentimento de culpa, gerando intenso sofrimento para quem não consegue controlar esse impulso e também para as pessoas ao redor, que muitas vezes, são membros da família como o cônjuge, os filhos e os pais.

O sofrimento é ainda maior quando a pessoa consegue perceber que irá ser acometida por essa explosão agressiva, entretanto ela não consegue lidar com essa emoção que age fora de seu controle.

A agressividade é importante para a sobrevivência da espécie, contribui para o crescimento e desenvolvimento da identidade, porém quando ela se torna destrutiva, e assim, motivo de sofrimento é sinal de que as coisas não estão indo bem e que talvez seja necessário procurar ajuda.

Conseguir diagnosticar a patologia de maneira correta pode auxiliar na construção das ferramentas que serão utilizadas durante o processo. Porém, a compreensão do sofrimento que ela causa para quem a possui é a maneira, como diria Hillman, de enxergar a alma que está se manifestando através da doença.

O processo de conhecer a si mesmo e perceber as próprias dificuldades, e também as próprias qualidades, é uma contribuição da psicologia para ajudar essas pessoas que possuem este diagnóstico a lidar com as emoções de uma forma menos punitiva e mais sadia.

Nota: Matéria publicada no Jornal Superquadranews

Avenida Sete de Setembro, 4698 - Sala 2007 - Batel, Curitiba, CEP 80240-000. Telefone: 41 3524 1405. Email: psike@psike.com.br