A bebida na juventude

A bebida na juventude

Psicóloga aponta os principais fatores do consumo de álcool entre jovens

Por Marcelo Andrade

Recentemente a jornalista Maria Lydia Flandoli, do Jornal da Gazeta, realizou uma entrevista interessante sobre o alcoolismo com a psiquiatra e professora da Unifesp Ana Cecília Marques. A médica revelou um dado preocupante. “Os estudos apontam que, quanto mais cedo o jovem começar a beber, maior a taxa de dependência ao longo da vida. Eles começam a beber cada vez mais cedo, em doses maiores e isso compromete a vida deles como um todo.”

Um estudo do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid) e pela Secretaria Nacional Antidrogas (Senad), aponta que o consumo de álcool por adolescentes de 12 a 17 anos já atinge 54% dos entrevistados e desses, 7% já apresentam dependência.

Os dados são ainda mais assustadores! O levantamento realizado pela Cebrid com estudantes do Ensino Fundamental e Médio da Rede Pública revela que a idade de início do consumo fica em torno dos 12 anos.

Fatores hereditários é um ponto importante a ser relacionado

Mas por que os adolescentes estão bebendo cada vez mais cedo? Para a psicóloga Melissa Piske Indalécio, “estamos vivendo um momento em que os jovens buscam freneticamente momentos que lhes assegurem novas sensações e a inconseqüência de seus atos representa o resultado da dificuldade com lidar com limites, o que os leva a auto-sabotagem. No entanto, ao descortinar estes sintomas nos deparamos com quadros que nos revelam algumas vezes alguns transtornos mentais, como quadros de ansiedade, depressão, a hiperatividade e a idade hoje para este início de consumo é cada vez mais tenra. Por isso, a atenção dos pais deve estar em atitudes preventivas e não repressivas.”, explicou Melissa.

Na prática, esse cenário pode ser identificado circulando na região de Pinheiros, um dos tradicionais pontos de encontro entre jovens e adultos, marcado por barzinhos e casas de shows. Nos fins de semana, é natural encontrar grupos de jovens bebendo e fumando.

Segundo Melissa Piske Indalécio, uma característica importante para os adolescentes é falar “a língua da tribo”, ou seja, a submissão a este comportamento por pressão do grupo, chamada influência ambiental, sensação de aproveitar ao máximo o tempo com menos inibição, assim como a legitimidade, trocando em miúdos, estar inconsciente os legitima a ter comportamentos sociais reprováveis quando estão 100% conscientes. E nesta fase ocorrem modificações físicas, psicológicas, além da busca pela própria identidade, neste momento já tendenciando a diferenciar-se de tudo aquilo que se propôs, numa fase ainda mais pueril. Transições no desenvolvimento têm sido associadas com a exacerbação de sentimentos e início do consumo de álcool.

Prevenção é o melhor caminho

O atendimento diário com adolescentes no consultório de Psicologia Clínica Psike, localizado na Rua Dr. Luiz Migliano, 1986 cj. 806 deu à Melissa experiência sobre o comportamento dos jovens. Ele acredita que esse é um problema multifatorial. Quanto mais cedo ocorre o consumo de álcool, mais cedo é observado, o inicio da vida sexual, menor o tempo dedicado aos estudos e há uma certa tendência a experimentar novos tipos de drogas, além de comportamentos antissociais, violência e agressividade.

“Também não podemos deixar de destacar, sem tornar isso um rótulo, mas historicamente fatores hereditários é um fator importante a ser relacionado. Quando percebe-se que membros da família são portadores de alcoolismo, coloca os jovens em maior risco de desenvolver problemas com o uso de bebidas. Filhos de alcoolistas têm risco de 4 a 10 vezes maior para manifestarem problemas com o uso de bebidas e estudos genéticos atuais indicam que alguns genes têm sido relacionados com o desenvolvimento do alcoolismo. Numa breve evolução percebe-se que nos anos 60 o início do consumo do álcool ocorria em média aos 18 anos, em 2000 observou-se que este consumo tornou-se mais evidente em adolescentes com em média 14 anos de idade.”

A psicóloga finaliza com uma recomendação aos pais. “O que cabe a família é observar o comportamento dos jovens, escutá-los ainda que divergentes e marcar presença em suas vidas, pois a prevenção continua sendo um caminho muito mais curto para a saúde não apenas do adolescente, mas de todos que sofrem com esta demanda uma vez que se instale tão precocemente devastando a vida deste e inevitavelmente de toda a família nuclear.”

Nota: Matéria publicada no Jornal Superquadranews

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